Porto Alegre

22ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

  • 12/04/2017
  • 14:52
  • Atualização: 15:41

Fiscalização do governo identifica irregularidades em 45 marcas de azeite

Amostras foram colhidas em 12 Estados e no Distrito Federal

Amostras foram colhidas em 12 Estados e no Distrito Federal | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

Amostras foram colhidas em 12 Estados e no Distrito Federal | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

  • Comentários
  • AE

O Ministério da Agricultura identificou irregularidades em 45 marcas de azeite entre 140 coletadas nos últimos dois anos. As amostras foram colhidas em 12 Estados e no Distrito Federal, num total de 322.329 litros (dos quais 114.750 litros considerados conformes e 207.579 litros com problemas). A equipe de fiscalização inspecionou 279 amostras de 214 lotes. Do total, 38,7% dos lotes tinham problemas e 79% das irregularidades eram relacionadas à baixa qualidade (produto ruim vendido como bom).

De acordo com o ministério, em comunicado, a fraude mais comum praticada por empresas envazadoras é a utilização de óleo vegetal com azeite lampante, que tem cheiro forte e acidez elevada (extraído de azeitonas deterioradas ou fermentadas) e que não deve ser destinado à alimentação. No Paraná, foram identificadas empresas que vendiam produto como azeite de oliva, mas com composição de 85% de óleo de soja e 15% de lampante. Segundo o ministério, as fraudadoras foram autuadas, multadas em até R$ 532 mil por irregularidade encontrada e os produtos foram apreendidos para descarte. As empresas também foram denunciadas ao Ministério Público. O próximo passo é a abertura de inquérito policial.

As análises, realizadas pelos Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagro) do Rio Grande do Sul e de Goiás, também apontaram azeites desclassificados (que podem não ser considerados como azeite) e fora de tipo (não tem boa qualidade).

Conforme a auditora fiscal Fátima Parizzi, do total de amostras coletadas e encaminhadas ao Rio Grande do Sul para o Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), 33 estavam dentro dos padrões de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Agricultura. Outras 43 amostras, resultaram “não conformes”, por se enquadrarem como ”fora do tipo”, ou ”desclassificados”. A comercialização foi suspensa e os produtos retirados do mercado”.

Os produtos de origem estrangeira importados a granel tiveram mais fraudes que os produtos importados envasilhados. “Praticamente 100% das marcas que importam a granel e envasam no Brasil apresentaram problemas, enquanto que, nas marcas envasilhadas no país de origem, são mínimos os índices de não conformidade”.

Os Estados em que foram registradas mais irregularidades foram São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal, onde se concentram o maior número de empresas que envazam o produto. Os envazadores, que importam a granel, principalmente da Argentina, foram os que apresentaram mais irregularidades.

O Brasil é o terceiro maior importador de azeite de oliva do mundo, segundo dados do Comitê Oleícola Internacional (COI). Em 2016, o País importou cerca de 50 milhões de toneladas do produto.

Consumidor

Para o consumidor evitar ser enganado, a primeira coisa na qual deve prestar atenção é o preço: desconfie se estiver muito abaixo do padrão. Verificar no rótulo o local em que foi envazado, se no país de origem, por exemplo, pode dificultar fraude, como misturas.

Além disso, especificações como o termo tempero em letras miúdas e, em destaque, azeite de oliva. Não se trata de azeite adicionado de especiarias, mas de tempero vendido como azeite de oliva. Qualquer adição ou mistura com outros óleos vegetais requer que o produto seja rotulado como "Óleo misto ou composto", devendo o consumidor ser obrigatoriamente informado sobre os porcentuais que compõem a mistura.

O Ministério da Agricultura divulgou em seu site duas listas de marcas de azeite, as em conformidade e as irregulares, de acordo com a fiscalização realizada em 140 marcas, coletadas nos últimos dois anos.

Os produtos de origem estrangeira importados a granel tiveram mais fraudes que os produtos importados envasilhados. “Praticamente 100% das marcas que importam a granel e envasam no Brasil apresentaram problemas, enquanto que, nas marcas envasilhadas no país de origem, são mínimos os índices de não conformidade”.