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  • 22/07/2017
  • 11:43
  • Atualização: 12:15

Confinamento de bovinos cresce no Estado

Maior adesão ao método é explicada pelo menor custo da ração e queda do preço do gado magro

Sistema é mais usado nas regiões agrícolas que dispõe de alimento próximo | Foto: Patrícia Kolling / Divulgação / CP

Sistema é mais usado nas regiões agrícolas que dispõe de alimento próximo | Foto: Patrícia Kolling / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

A demanda por ração destinada ao gado de corte confinado e semiconfinado no Rio Grande do Sul aumentou no primeiro semestre de 2017, na comparação com o mesmo período de 2016. O incremento é revelado por empresas que fornecem produtos de nutrição animal em todo o Estado. A Nutrepampa, com sede em Independência, registrou elevação de 20% nas vendas. A Camera, com fábrica de ração em Santo Cristo, estima crescimento de 10%. A Agrobella, de Frederico Westphalen, informou um aumento de 60% na comercialização, mas ressalva que boa parte deste percentual deve-se à estratégia elaborada para a abertura de novos mercados.

O crescimento na venda de rações indica elevação no confinamento de animais no Estado e maior suplementação de alimentos no semiconfinamento, já que a oferta de pastagem cai no inverno. O presidente da Associação dos Produtores dos Campos de Cima da Serra (Aproccima), Carlos Roberto Simm, acredita que dois fatores contribuíram para um maior interesse no confinamento neste ano: menor custo na dieta animal e preços mais baixos dos animais de reposição (gado magro). “Dificilmente estas duas situações ocorrem ao mesmo tempo. Geralmente o preço da alimentação é alto, mas a queda do valor do milho e da soja ajudou o produtor a decidir neste ano pelo confinamento”, afirma. No entanto, Simm observa que o Estado carece de estatísticas sobre este sistema.

O diretor comercial da Nutrepampa, Eduardo Jost, diz que, além da demanda por ração, cresceu também a busca por informações sobre confinamento. Nos Campos de Cima da Serra, Carlos Simm nota um aumento do uso deste método de produção, principalmente entre os pequenos criadores. Para Simm, as regiões produtoras de grãos têm vantagens na exploração da pecuária, mesmo que em áreas reduzidas por conta da expansão das lavouras. O professor Ricardo Pedroso Oaigen, do Centro de Tecnologia em Pecuária da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), concorda. Segundo ele, o confinamento é maior na Metade Norte e Região Central do Estado, sobretudo nas regiões agrícolas, onde o custo da dieta do boi torna-se menor. “O produtor pode aproveitar resíduos da lavoura de milho, soja e trigo na ração animal”, observa. Além disso, o confinamento ajuda os produtores a fazerem vendas em épocas estratégicas e a evitarem a perda de peso do gado durante o inverno.

O contraponto, neste momento, é a instabilidade do mercado futuro que produz impactos sobretudo para o grande confinador. A bovinocultura de corte, principalmente no Centro-Oeste do País, já sente reflexos da Operação Carne Fraca, delações dos donos da JBS e suspensão das importações da carne bovina in natura pelos Estados Unidos. O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, diz que o preço do boi gordo deve cair mais do que a média nos próximos meses, quando a oferta de animais no mercado aumenta para dar espaço à implantação das lavouras. “Na comparação com o Centro-Oeste, o Rio Grande do Sul ainda tem preços melhores, mas a tendência é que não conseguiremos segurar este cenário por muito tempo”.


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