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  • 25/08/2017
  • 08:19
  • Atualização: 08:41

Peão vira testemunha de transformações de feiras agropecuárias

Luiz Pedro Maidana participa de eventos desde 1962

Maidana, que fazia viagens de três dias e dormia junto com os animais nas feiras dos anos 1960, diz que o conforto das viagens e alojamentos melhorou | Foto: Mauro Schafer / CP

Maidana, que fazia viagens de três dias e dormia junto com os animais nas feiras dos anos 1960, diz que o conforto das viagens e alojamentos melhorou | Foto: Mauro Schafer / CP

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  • Nereida Vergara / Correio do Povo

Por trás do sorriso tímido de Luiz Pedro Maidana escondem-se 55 anos de histórias ligadas à participação em feiras agropecuárias. Aos 69 anos, o peão conta que está em atividade desde 1962, quando tinha 14 anos e iniciou suas viagens de Uruguaiana para outras cidades, especialmente Porto Alegre, para participar das exposições de animais. Os tempos, recorda, eram difíceis, mas nada que um filho de capataz de estância não pudesse encarar.

Só os deslocamentos da Fronteira à Capital, para as feiras no bairro Menino Deus, feitos de trem e depois de caminhão, chegavam a levar três dias. Os peões vinham com a obrigação de zelar pela segurança e pela saúde dos animais. Maidana conta que, naquela época, era comum dormir junto aos animais pelos quais era responsável — no caso dele, ovelhas da raça Merino Australiano — para evitar roubos e sabotagem. “Tinha concorrentes que viam que a gente trazia bicho bom, que ia ser campeão, aí colocavam coisas na comida do animal pra ele passar mal”, lembra.

Aposentado há sete anos, Maidana pretende continuar prestando serviços à Cabanha Santa Camila, de Alegrete, da qual foi funcionário por mais de 30 anos, e a quem mais se interessar na sua experiência como peão e esquilador. “Venho enquanto eu puder, nesta e em outras feiras, pois este trabalho complementa o que eu ganho na minha aposentadoria, pouco mais de R$ 1 mil”, comenta.

Hoje, os peões que trabalham na Expointer dispõem de uma área de acampamento com banheiros e chuveiros quentes. Maidana e seus companheiros, que nesta edição cuidam de 10 ovelhas, entre as quais a grande campeã do ano passado, montaram barraca com cozinha e local para dormir. “Agora é melhor, não se passa frio e se pode dormir em paz”, compara.