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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

  • 13/10/2018
  • 20:18
  • Atualização: 20:25

Familiares de vítimas do voo da Chapecoense ficam sem resposta de seguradora

Quase dois anos após acidente, seguradora ainda não pagou valores às famílias

Tragédia com voo da Chapecoense completa dois meses em novembro | Foto: Raul Arboleda / AFP / CP

Tragédia com voo da Chapecoense completa dois meses em novembro | Foto: Raul Arboleda / AFP / CP

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  • Efe

Representantes de uma comissão de familiares das vítimas do trágico acidente com o avião que levava o time da Chapecoense a Medellín, na Colômbia, em 2016, retornaram da Bolívia neste sábado para o Brasil sem respostas da seguradora contratada pela companhia aérea LaMia.

Fabienne Belle, presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C), disse à imprensa no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra que sua visita em busca de respostas sobre o avanço da investigação e a indenização para as famílias das vítimas encontrou “resistência da seguradora”.

“Não nos deu as respostas que viemos buscar”, lamentou Fabienne, viúva do fisiologista da Chapecoense, Cezinha. A presidente da AFAV-C acrescentou que, quase dois anos depois do trágico acidente, no qual morreram 71 pessoas, a situação “continua na mesma”. Fabienne ressaltou que nesta visita a associação conseguiu o apoio do diretor da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), general Celier Aparicio Arispe.

A Chapecoense pediu indenizações pela tragédia de 28 de novembro de 2016, quando o avião da companhia aérea LaMia no qual viajavam no qual jogadores e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas e convidados, ficou sem combustível e caiu em uma área montanhosa perto da cidade colombiana de Medellín. A seguradora BISA, que foi contratada pela LaMia, alegou na Justiça que a apólice não estava em vigor por falta de pagamento e que não cobria voos à Colômbia. Um mês depois, as autoridades bolivianas consideraram válida a apólice e que a seguradora era obrigada a indenizar as vítimas.

Abel Dias, especialista na área de seguros e parte da comissão que chegou à Bolívia, afirmou que não há rapidez nas investigações e no pagamento das indenizações às famílias das vítimas. “Existem companhias que nos dão as costas, como foi a BISA, tentamos duas vezes falar com eles, sabem que têm responsabilidade de alguma forma, mas não querem falar conosco”, disse Dias.

Segundo o advogado boliviano Rômulo Peredo, aparentemente a seguradora “está esperando” vencer o prazo que vai até novembro deste ano para não pagar “nem um centavo”. A BISA estabeleceu um fundo humanitário para pagar uma quantia aos familiares das vítimas, mas, se aceitarem este pagamento, as famílias perderão o direito de poder processar os eventuais responsáveis no futuro, quando terminarem as investigações, ainda em andamento no Brasil, na Bolívia e na Colômbia.

De acordo com Peredo, este fundo pretende “calar” as famílias. A comissão chegou à Bolívia no último dia 4 à cidade de Santa Cruz de La Sierra, de onde partiu o fatídico voo da LaMia, atrás de respostas e para se reunir com autoridades.


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