Correio do Povo

07/12/2017 08:32 - Atualizado em 07/12/2017 14:19

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"Em Busca de Fellini" traz homenagem a cineasta e melodrama para o público

Longa retrata viagem de Lucy para conhecer diretor italiano Federico Fellini

Atriz Ksenia Solo protagoniza Em Busca de Fellini - Crédito: Divulgação / CP
Atriz Ksenia Solo protagoniza Em Busca de Fellini
Crédito: Divulgação / CP

"Em Busca de Fellini" é um filme que tem dois propósitos durante o seu desenrolar. O primeiro, homenagear um dos cineastas mais importantes do cinema italiano, Federico Fellini (1920-1993), e segundo, servir como um cartão postal de vários pontos turísticos da Itália. O que poderia ser uma mistura empolgante se transformou em algo insosso demais. Começando o conto de fadas de Lucy (Ksenia Solo), uma jovem que ao completar 20 anos resolve encarar alguns desafios pessoais após descobrir a doença terminal da mãe Claire (Maria Bello). 

A protagonista viveu sobre a excessiva proteção da matriarca, que a sempre afastou de qualquer mal ou sofrimento alheio, e com quem aprendeu sobre o mundo do cinema. Em especial aos clássicos norte-americanos de Hollywood. Após um dia fatídico, ela acaba conhecendo as obras de Fellini em um pequeno festival na sua cidade e cai de encantos com este cinema tão peculiar e diferente de tudo que já assistiu. O que desperta na garota a necessidade de encontrar o diretor italiano e questioná-lo sobre o seu trabalho, e claro, sobre a vida no geral. E, mais uma vez, após uma decepção dentro de casa, a jovem parte para a Europa em busca de seu sonho. Baseado em fatos reais, "Em Busca de Fellini" poderia facilmente encaixar os seus desafios e torná-lo uma história interessante, já que o diretor Taron Lexton utiliza várias referências do homenageado, com uma mistura de realidade e fantasia. Entretanto, as situações que ocorrem ao longo do filme acabam exagerando na ingenuidade da personagem Lucy. Por mais que dentro de uma sala de cinema devamos abrir a nossa mente e deixar uma história nos conquistar, aqui temos o problema dos clichês das comédias românticas onde os casais exploram belas paisagens, mas onde não existe nenhum conflito. Assim como ocorre com a pequena família da jovem, onde Claire, acompanhada da irmã Kerri (Mary Lynn Rajskub), também fantasia com a viagem da filha enquanto assiste às obras de Fellini e assim, tenta entender o que instigou tanto Lucy a ir atrás do cineasta. E aqui está o problema da narrativa toda. A passividade e a tranquilidade com as ações que ocorrem entre os personagens e ninguém parece reagir de acordo. Além da insensibilidade e incoerência de alguém decidir viajar quando descobre que a mãe está morrendo. Mas enfim, são detalhes que até podem ser compreensíveis se for analisar de fato os personagens principais. A atriz Ksenia Solo possui a fragilidade exata para encarnar uma personagem como Lucy. O tipo físico e o olhar encantado são ideais para protagonizar um filme sobre descobertas pessoais como este. Assim como não se pode reclamar de coadjuvantes como Angelo (Lorenzo Balducci) que carrega o mesmo espirito sonhador e sedutor, que felizmente acaba sendo mais um incentivador para as conquistas de Lucy. Os principais filmes a norteam durante a viagem são "A Doce Vida" (1960) e "A Estrada da Vida" (1954), pois conseguem costurar as linhas da narrativa, já que mesmo sendo produções distintas, influenciam a aventura da protagonista que em cada passo, vai descobrindo tanto sobre si mesma e ao mundo. Não é difícil se encantar com as belíssimas imagens e até mesmo os diálogos inspiradores, como do próprio secretário de Fellini que atende inúmeras vezes as ligações de Lucy, chegam a mexer com nosso emocional. Só é uma pena que "Em Busca de Fellini" apele demais para o melodrama e a fantasia, ao invés de entregar um resultado agridoce, assim como é a vida. Assim como era Fellini. 
Confira o trailer:

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