Correio do Povo

25/04/2018 14:17 - Atualizado em 25/04/2018 14:36

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Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE chega ao fim

Decisão é decorrente da proposta de extinção das fundações do governo do Estado

Economistas apresentam os resultados da última pesquisa- Crédito: Alina Souza
Economistas apresentam os resultados da última pesquisa
Crédito: Alina Souza

Executada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) desde 1992, a pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) apresentou seus últimos dados nesta quarta-feira. O informe, de publicação mensal, reunia informações e análises sobre o mercado de trabalho, destacando-se o desemprego, o nível de ocupação e de rendimentos.  A economista Lúcia Garcia, do Dieese, informou que a PED/RMPA teve suas atividades de campo encerradas no fim do mês de março, conforme decisão unilateral do governo do Estado, em consonância com a proposta de extinção das fundações". "Anualmente, eram entrevistadas cerca de 75 mil pessoas, uma amostra robusta para a Região Metropolitana de Porto Alegre, que permite um retrato profundo e detalhado do mercado de trabalho e oferece parâmetros para compreender as condições socioeconômicas no Rio Grande do Sul", declarou. Conforme Lúcia Garcia, com o fim da PED, o Estado deixará de produzir dados primários e, portanto, passará a depender das informações produzidas e disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério do Trabalho. "Embora relevantes essas bases de dados não substituem a PED/RMPA. O encerramento da pesquisa interrompe uma pesquisa que tem valor pela longa série histórica, pela metodologia reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo olhar detalhado do mercado regional", acrescentou a economista. Números de março A última pesquisa mostrou que a taxa de desemprego total apresentou relativa estabilidade entre fevereiro e março de 2018, passando de 11,7% para 11,8% da População Economicamente Ativa (PEA). O número total de desempregados em março permaneceu estável em 219 mil pessoas. Segundo a economista Virgínia Donoso, o resultado ocorreu devido à retração do nível ocupacional (menos 16 mil), a qual foi compensada pela saída de pessoas do mercado de trabalho (menos 16 mil). A taxa de participação (é a relação entre a PEA e a População em Idade Ativa e indica a proporção de pessoas com 10 anos ou mais incorporada ao mercado de trabalho como ocupada ou desempregada) passou de 52,8% para 52,4% no período em análise. Em março, o nível ocupacional na RMPA diminuiu (-1%), tendo seu contingente estimado em 1.640 mil ocupados. Em relação aos principais setores de atividade econômica, os dados mostram redução no comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (menos 13 mil pessoas, ou -3,8%), na indústria de transformação (menos 8 mil, ou -2,8%) e na construção civil (menos 6 mil, ou -5,2%). Por outro lado, ocorreu um aumento do nível ocupacional nos serviços (mais 11 mil, ou 1,2%). O rendimento médio real de fevereiro de 2018 aumentou para o total de ocupados, assalariados e trabalhadores autônomos. Em termos monetários, os rendimentos passaram a corresponder a R$ 1.943,00; R$ 2.003,00; e R$ 1.611,00 respectivamente. A economista Lúcia Garcia, do Dieese, disse que a PED/RMPA foi a pesquisa com a série histórica mais longa do Rio Grande do Sul sobre mercado de trabalho, e a segunda mais antiga do Brasil, com divulgação mensal ininterrupta há 27 anos. A pesquisa era realizada numa parceria entre Dieese, Fundação de Economia e Estatística (FEE) e Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas).

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