Correio do Povo

18/07/2018 18:10 - Atualizado em 18/07/2018 20:06

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Indígenas voltam a ocupar Floresta Nacional em Canela

Grupo pretende manter cultura caingangue viva ao se mudarem para o local em definitivo

Indígenas voltam a ocupar Floresta Nacional em Canela- Crédito: Halder Ramos / Especial / CP
Indígenas voltam a ocupar Floresta Nacional em Canela
Crédito: Halder Ramos / Especial / CP

Os descendentes do cacique caingangue Zílio Salvador voltaram a ocupar parte da Floresta Nacional de Canela. O grupo de aproximadamente 30 indígenas chegou ao local na manhã de segunda-feira e pretende morar no espaço em definitivo. Os líderes indígenas explicam que permanecer na área é um antigo pleito do cacique Zílio Salvador, que faleceu em agosto de 2017. Conforme Gumercindo Salvador, irmão mais jovem de Zílio, a família pretende realizar o sonho do cacique falecido e manter a cultura caingangue viva. “Queremos o espaço para criar os nossos filhos, netos e bisnetos. Para que os netos dele venham a conhecer a mata nativa. Nas outras aldeias que a gente está não existe mata araucária”, explicou Gumercindo. O cacique Zílio Salvador e a família ocuparam a Floresta Nacional de Canela em 2015. Na época, Zílio revelou que os antepassados dos caingangue habitavam o local. Após acordo judicial, o grupo deixou a área. “Quando ele chegou aqui, veio pensando em garantir um lugar melhor para viver, mas nunca teve seu sonho realizado. Aqui tem tudo que precisa para preservar a cultura”, disse o irmão.

Outro líder do grupo, Daniel Ribeiro, destacou que Zílio fez o pedido formal para usar a Floresta Nacional, mas não foi atendido. “A família entende que tem direito de usar o local, que é do governo. Aqui encontramos água, mata e tudo que precisamos para viver. Tudo que o indígena quer. Esperamos o apoio do governo para permanecer”, frisou Ribeiro. De acordo com a liderança, a ocupação foi pacífica. Ribeiro disse que o grupo possui pessoas de todos os lugares do Rio Grande do Sul. “É uma família grande. Queremos unir todos para preservar os costumes. Todos aqui falam o idioma e, vivendo aqui, vamos continuar ensinado nossas crianças”, afirmou Ribeiro. O analista ambiental do ICMBio, Antônio César Caetano, responsável pela Floresta Nacional de Canela, declarou que o órgão vai entrar com ação de reintegração de posse na Justiça Federal de Caxias do Sul. Com 557 hectares, a Flona tem por objetivo o manejo florestal sustentável e a pesquisa cientifica. “É um laboratório a céu aberto. Não existe previsão legal para a ocupação. É uma área que não prevê populações silvícolas morando dentro. Esperamos uma solução pacífica para o caso”, frisou Caetano.

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