Correio do Povo | Notícias | Leonard Nimoy, o Spock de "Star Trek", morre aos 83 anos

Porto Alegre, quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

  • 27/02/2015
  • 14:19
  • Atualização: 15:28

Leonard Nimoy, o Spock de "Star Trek", morre aos 83 anos

Ator sofria de uma doença obstrutiva pulmonar crônica

Nimoy ficou famoso ao interpretar Spock, na primeira geração de

Nimoy ficou famoso ao interpretar Spock, na primeira geração de "Jornada nas Estrelas" | Foto: Reprodução / CP

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  • Correio do Povo e AFP

Morreu na manhã desta sexta-feira em Los Angeles o ator Leonard Nimoy, famoso por seu papel como Spock, da primeira geração de "Star Trek". Nimoy, que havia sido internado às pressas no último dia 19 com fortes dores no peito, sofria de uma doença obstrutiva pulmonar crônica em decorrência do cigarro.

O ator já havia parado de fumar há 30 anos, mas ele mesmo reconheceu em entrevistas que as três décadas sem fumar não eram suficientes. Ele, inclusive, alertava seus fãs pelo Twitter dos malefícios do cigarro, pedindo para que evitassem o fumo. 

Leonard Nimoy teve a carreira marcada pelo alienígena meio-humano, meio-vulcano Spock, mas também atuou como diretor, roteirista, compositor, poeta e fotógrafo. Nascido em Boston, em 1931, filho de pais judeus originários da Ucrânia, Nimoy começou a atuar ainda quando criança e sua carreira profissional, iniciada na década de 50, foi marcada por muitos filmes B e participação em vários seriados famosos do período.

A grande oportunidade veio mesmo em 1966 quando foi escolhido por Gene Roddenberry para viver o emblemático sr. Spock, que, a princípio, seria apenas uma personagem alienígena de tons meio diabólicos e misteriosos. De simples coadjuvante, Nimoy virou um dos protagonistas da série, e ganhou uma legião de fãs.

O fato é que Jornada nas Estrelas tinha muito pouco a ver com os seriados infantis de aventura da época e acabou se transformando numa obra precursora, a primeira série televisiva de contracultura, e o Spock de Nimoy em muito contribuiu para isso, apesar de ter sofrido vários obstáculos para se firmar, como a Igreja católica, que, na época, encrencou com aparência satânica do personagem e quase conseguiu que fosse eliminado da série.

Pelo personagem, Nimoy recebeu três indicações ao Emmy. Nimoy sempre teve por sua criação um respeito profundo, a ponto de, na época em que gravava a série, se preocupar em não se deixar ser fotografado rindo quando estivesse caracterizado de vulcano para não ferir a dignidade do personagem. Foi ele, inclusive, que criou muitos dos detalhes, como a saudação vulcana "Vida longa e próspera", que teve como inspiração um gestual de bênção judaica.

Nos anos que se seguiram ao cancelamento da série, Nimoy voltou a atuar em telefilmes, sem maiores repercussões, e também emprestou sua voz à versão animada que "Star Trek" ganhou em 1973. Nesse período, lançou alguns álbuns e livros de poesia até que, em 1977, surgiu com sua polêmica autobiografia, "Eu não sou Spock", que muitos acharam que era uma negação ao personagem que o tornara conhecido no mundo. Ao contrário, no livro Nimoy mantinha um diálogo direto com seu alter-ego vulcano, demonstrando o quanto o personagem o influenciara, embora ele e Spock fossem, obviamente, "pessoas diferentes".

Recentemente, em função de sua boa relação com o diretor e produtor J.J. Abrams, Nimoy aceitou o convite para fazer um papel-chave na série de TV "Fringe", embora tenha anunciado que estava se aposentando como ator. Em entrevista ao talk show de seu colega e amigo pessoal, William Shatner (o capitão Kirk), Nimoy também surpreendeu os fãs ao revelar seu alcoolismo, um problema que surgiu basicamente na época em que gravava Star Trek, e com o qual lutou durante anos até que, finalmente, conseguiu se recuperar.

Abaixo, uma das últimas aparições do ator como Spock, em 2013: