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  • 02/03/2017
  • 16:28
  • Atualização: 16:29

Prêmio Oceanos agora é de toda a língua portuguesa

Itaú Cultural anunciou a internacionalização da premiação e a abertura de inscrições nesta sexta

Na coletiva, falaram Eduardo Saron e os curadores Ana Sousa Dias, Manuel da Costa Pinto e Selma Caetano | Foto:  Guilherme Castoldi / Divulgação / CP

Na coletiva, falaram Eduardo Saron e os curadores Ana Sousa Dias, Manuel da Costa Pinto e Selma Caetano | Foto: Guilherme Castoldi / Divulgação / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

Em encontro que reuniu a imprensa e representantes das principais editoras brasileiras no final da manhã desta quinta, os curadores e o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, lançaram a edição 2017 do Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa e destacaram a importância da internacionalização do prêmio na cena literária lusófona, além de analisar a edição 2016. A principal novidade deste ano é a possibilidade da inscrição de livros publicados em países de língua portuguesa pelo mundo, como Portugal, Angola, Moçambique e Timor Leste, o que não era permitido até 2016, quando eram inscritos livros de autores destes países, mas publicados no Brasil.

Outro destaque foi a apresentação da crítica literária portuguesa Ana Sousa Dias, que passa a atuar na curadoria da premiação, em conjunto com os atuais curadores Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto. A abertura das inscrições para 2017 será à 0h desta sexta-feira, de março, pelo site.

O primeiro a falar foi o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, que lembrou que o instituto é parceiro do prêmio pelo terceiro ano consecutivo. "Uma das coisas que conversamos com a Selma Caetano lá no início fio que o prêmio não devia ter o nome do patrocinador e sim um nome próprio para que quando mudasse o parceiro não sofresse alteração no seu naming right", explicou Saron, lembrando que o Itaú Cultural incorporou ao prêmio os seus modelos de seleção, o seu suporte digital para facilitar a vida dos jurados e também os mapeamentos da literatura contemporânea pelo Núcleo de Literatura e Audiovisual.

O sistema de recebimento dos livros, assim como o de inscrição, foi desenvolvido pelo Núcleo de Inovação do Itaú Cultural. Com esse facilitador, que perdura nesta edição, todos os concorrentes inscritos no Oceanos foram e serão lidos e analisados por especialistas nas literaturas brasileira, portuguesa e africanas – cada obra passando por três leituras de jurados diferentes. “Somos incentivadores da leitura e do livro em língua portuguesa. Em um país onde o índice de leitores é baixo, é importante contribuir para ter mais brasileiro lendo mais”, disse Saron.

A curadora Selma Caetano agradeceu à parceria do Itaú, principalmente ao Núcleo de Inovação, que vai permitir uma melhor logística para receber livros do mundo inteiro e agradeceu também ao Ministro da Cultura de Portugal, Luiz Felipe de Castro Mendes, que abriu diálogos com instituições ligadas à literatura e editoras portuguesas. "A grande novidade que temos para anunciar é a internacionalização do prêmio, pois nesta edição não serão só os livros de autores de língua portuguesa publicados no Brasil, mas poderão concorrer todas as obras editadas em português nas categorias de Poesia, Romance, Conto, Crônica e Dramaturgia", adiantou Selma.

Ela também mostrou números das dez edições anteriores do prêmio, que comprovam a evolução da proporcionalidade de obras portuguesas e africanas em relação às brasileiras, principalmente entre os semifinalistas e finalistas (entre os semifinalistas, 87% de brasileiros, 8% de portugueses e 5% de africanos e entre os finalistas, 80% de brasileiros, 16% de portugueses e 4% de africanos).

Ao longo de suas edições, o Oceanos contemplou somente obras de autores os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que tivessem seus livros editados no Brasil. Na edição de 2016, entre os 740 títulos inscritos estavam 14 livros de escritores portugueses, dois de escritores angolanos e um de escritor moçambicano. Em 2016, o grande vencedor foi "Galveias", de José Luis Peixoto, lançado pela Companhia das Letras. Ao todo, são R$ 230 mil em prêmios, com orçamento total de R$ 1,4 milhão.

O curador Manuel da Costa Pinto observou que o Oceanos se destaca em relação aos demais prêmios entregues nos países de língua portuguesa, como Jabuti que é mais segmentado, o Saramago que premia somente o gênero romance e Camões, que premia o conjunto da obra. "Com esta abertura para as editoras portuguesas, temos uma estimativa do aumento de 50% na inscrição de livros editados em Portugal. Como é um país de poetas, estamos esperando muitas inscrições deste gênero", complementa.

A curadora portuguesa Ana Sousa Dias lembrou que foi surpreendida com o convite, mas que está esperançosa pelo aumento do intercâmbio entre os países de língua portuguesa, por meio do prêmio, com possíveis edições de livros de autores não tão famosos de Portugal no Brasil. "Antes, só participavam do prêmio autores consagrados, que já tinham passado pela apreciação de grandes editoras brasileiras. Agora, as pequenas editoras e livros mais independentes de Portugal também estarão no páreo.