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Porto Alegre, terça-feira, 30 de Maio de 2017

  • 19/04/2017
  • 12:56
  • Atualização: 17:31

12º Palco Giratório reunirá 54 espetáculos de 13 estados e dois países

Festival ocorre de 4 a 28 de maio em Porto Alegre

Espetáculo de rua

Espetáculo de rua "A Dois Passos"é parceria entre Brasil e Itália e terá 10 apresentações entre 11 e 27 de mai | Foto: Thiéle Elissa / Divulgação / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

O mês de maio em Porto Alegre tem se tornado, desde 2006, um imenso palco no qual os teatros, as ruas e as escolas são presenteadas com atrações de teatro, dança, circo, intervenção e performance, além de atividades formativas e exposição de artes visuais. De 4 a 28 de maio, ocorre a 12ª edição do Festival Palco Giratório Sesc.

Ao todo são 54 espetáculos (20 do Circuito Nacional e 34 convidados) de 46 grupos, vindos de 13 estados brasileiros, sendo um internacional, direto da Bolívia (Teatro de Los Andres), e outro uma coprodução Brasil/Itália (Teatro Torto e Cisbit). Serão realizadas mais de 100 sessões artísticas teatrais, exposições de artes visuais, musicais, dança, circo e atividades formativas como o Seminário “Práticas de Emergência Cênica”, de 16 a 19 de maio e de 23 a 25 de maio, no Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835), e a demontração técnica/artística do mestre russo Gennadi Bogdanov, “Os Estudos Clássicos da Biomecânica Teatral de Meyerhold”, no dia 4 de maio, no Teatro do Sesc (Av. Alberto Bins, 665). 

O festival é uma realização do Sistema Fecomércio-RS/Sesc e integra a agenda do Arte Sesc – Cultura por toda parte. Os ingressos começaram a ser vendidos nesta quarta, no Sesc Centro, que fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 19h45min; e aos sábados, das 8h às 13h. Os valores são a partir de R$ 10, com mais detalhes pelo fone (51) 3284-2072 ou pelo site.

Os destaques são muitos, um deles é a gaúcha Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que neste ano é a homenageada do 20º Circuito Nacional Palco Giratório. O grupo apresentará o espetáculo de rua "Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, que celebra os 39 anos do coletivo teatral, e traz ao festival a versão de Boal, social, política e latinoamericanizada, para "A Tempestade", de William Shakespeare. "Numa época em que a rua é objeto de preocupação com a segurança e a violência, o Ói Nóis reflete sobre a realidade que nós vivemos, como pensar o uso deste espaço que é a rua, algo que eles vem fazendo há quase 40 anos. É uma justa homenagem", destaca a curadora do festival, Jane Schoninger.

A despeito da crise que assola boa parte dos eventos culturais no Estado e no país, o gerente de Cultura do Sesc/RS, Silvio Bento, observa que o Palco Giratório, assim como outros eventos do Arte Sesc, não sofrem tanto, pois o orçamento é definido entre julho e agosto do ano anterior. "Trabalhamos a gestão dos eventos, que envolve pessoas, tempo, espaços, produção. Não pensamos no teto para trazer algum grupo, mas sim na qualificação e na utilização do recurso, seguindo aquela nossa premissa de que ao Sesc cabe promover a circulação da arte", afirma Bento.

Um dos fatores destacados por Jane Schoninger é a internacionalização do festival. "Já trouxemos Eugenio Barba e o Odin Teatret e este ano temos um grupo boliviano, o Teatro de Los Andes, e uma parceria entre o Teatro Torto, do RS, e o centro de Biomecânia Teatral da Itália, Cisbit, que traz o mestre russo Gennadi Bogdanov para dirigir um espetáculo de rua e para uma demonstração técnica e artística. A internacionalização é importante para que o diálogo destes 25 dias tenha maior reverberação pelo mundo", destaca.

O grupo boliviano Teatro de Los Andes apresenta o espetáculo "Mar", nos dias 12 e 13 de maio, 21h, no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307). Trata da história de três irmãos que cumprem o último desejo da mãe que está a morrer: ser levada pelas ondas do mar. O espetáculo de rua "A Dois Passos", dirigido por Gennadi Bogdanov, conta a história dos afetos e ressentimentos de uma dupla de atores (o gaúcho Marcelo Bulgarelli e o italiano Claudio Massimo Paterno) que se acirram durante sua derradeira apresentação, quando a longa relação é posta à prova por uma falha no sistema de abertura da cortina, desencadeia uma série de situações que os coloca diante da iminência do fim. A montagem tem uma característica específica, a metonímia: tudo acontece tendo como a principal figura de linguagem a expressão das pernas e pés dos atores. Serão 10 apresentações entre 11 e 27 de maio, com estreia no dia 11, 15h, no estacionamento do Teatro Renascença.

Entre os destaques nacionais do festival está o musical “Auê”, da Cia. Barca dos Corações Partidos (RJ), que conta com a direção de Duda Maia, foi indicado 3 vezes ao Prêmio Shell. No espetáculo, sete homens falam e cantam sobre o amor. São 21 canções inéditas nos mais variados ritmos como maracatu, baladas pops misturadas com ritmos brasileiros, samba de roda, valsa e rock.

Em “Os Arqueólogos”, o Empório de Teatro Sortido (SP) apresenta a história de dois locutores esportivos que transmitem cenas corriqueiras de vidas comuns. O Coletivo As Travestidas (CE) retorna ao Festival com o espetáculo “Quem Tem Medo de Travesti”, um olhar artístico sobre o “Universo Trans”.

O grupo Amok Teatro (RJ) traz dois espetáculos. “Salina – A última vértebra” conta a saga da personagem de mesmo nome. A peça ganhou como melhor figurino e inovação no Prêmio Shell e de melhor atriz coadjuvante no APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro). Já “Os Cadernos de Kindzu”, criada a partir da obra do moçambicano Mia Couto, conta a história de um jovem que deixa o lugar onde vive por conta da guerra civil. A montagem tem quatro indicações nos prêmios Shell, Cesgranrio, Botequim Cultural e APTR. "Não temos a intenção de trazer os melhores espetáculos que existem, pois esse olhar é muito relativo, sobre o que um é melhor que o outro. O nosso exercício é o da sensibilidade, de grupos que tenham compromisso com o coletivo, com o social, o humano, com a reflexão dos principais problemas do teatro, da sociedade, da América Latina. Por isso, nem sempre o critério é ineditismo, mas sim a identificação com a política cultural do Sesc", observa Jane.

A programação contará, também, com atrações voltadas ao público infantojuvenil como “Abrazo”, do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN); “Histórias Negras Para Crianças de Todas as Cores”, uma coprodução junto a Usina do Trabalho do Ator (RS); “FUI!”, da Cia. Senhas de Teatro (PR); “Feito Criança”, da Cia. Rústica (RS); “A Gaiola”, com direção de Duda Maia (RJ); “Solidão”, do Folias d’Arte (SP), com o ator Airton Graça.