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Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

  • 19/03/2017
  • 17:47
  • Atualização: 17:53

Executivo da BRF tinha acesso ao sistema de fiscalização da Agricultura

Por meio de grampos, Polícia Federal descobriu prática ilícita de funcionários das empresas

Executivo da BRF tinha acesso ao sistema de fiscalização da Agricultura  | Foto: Alina Souza

Executivo da BRF tinha acesso ao sistema de fiscalização da Agricultura | Foto: Alina Souza

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Grampos da Polícia Federal no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira revelam que funcionários da BRF chegavam a acessar, dentro do Ministério da Agricultura, sistemas de emissão de certificados que atestam a qualidade de produtos. As investigações miram agentes de fiscalização das Superintendências de Minas e Goiás, vinculadas à pasta.

A decisão do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Criminal Federal de Curitiba, base da Operação Carne Fraca, que decretou prisões preventivas, temporárias, conduções coercitivas e buscas e apreensões contra os investigados, revela que o gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Brasil Foods (BRF S/A) Roney Nogueira dos Santos “influencia de escolha e substituição de fiscais para as unidades da empresa à liberação de unidades às vésperas de serem interditadas”.

A fim de exercer e manter influência sobre as fiscalizações, o executivo, segundo o juiz, “alcança dinheiro a servidores públicos, remunera diretamente fiscais contratados, presenteia com produtos da empresa, se dispõe a auxiliar no financiamento de campanha política e até é chamado a intervir em seleção de atleta em escolinha de futebol”.

As gravações da Polícia Federal autorizadas pela Justiça dão conta de diálogos entre Roney Nogueira dos Santos e o fiscal do Ministério da Agricultura Daniel Gouvêa Teixeira, denunciante do esquema, sobre a existência de fiscais da pasta que deixavam funcionários das empresas ocuparem suas mesas no órgão público, utilizando senhas de acesso para a emissão de documentos.

Em um áudio interceptado, o denunciante diz ao empresário que uma funcionária ficou sozinha, em uma sala do Ministério, manipulando os documentos – a senha foi fornecida por um servidor.