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Ed Sheeran volta aos palcos em meio à polêmica sobre os palestinos

Na última segunda-feira, o rapper Macklemore foi retirado da turnê por declaração pró-Palestina em show

Sheeran negou estar por trás da decisão de afastar Macklemore e responsabilizou o promotor da turnê
Sheeran negou estar por trás da decisão de afastar Macklemore e responsabilizou o promotor da turnê Foto : MATTHEW HATCHER / AFP

Manifestantes recepcionaram, neste sábado, 19, com palavras de ordem pró-palestinas os participantes do show de Ed Sheeran na Filadélfia, a primeira apresentação do superastro pop desde que ele se envolveu em uma polêmica por comentários a favor dos palestinos feitos por um dos artistas que abrem seus shows.

Na última segunda-feira, o rapper Macklemore foi retirado da etapa nos Estados Unidos da Loop Tour, de Sheeran, depois que proprietários dos estádios que receberiam os próximos shows contestaram o fato de ele ter gritado 'Palestina Livre!' durante uma apresentação em Nova Jersey, no início do mês.

Sheeran, de 35 anos, negou estar por trás da decisão de afastar Macklemore e responsabilizou o promotor da turnê. Críticos acusam Sheeran de não ter enfrentado os donos dos estádios - liderados pelo empresário bilionário Robert Kraft - e desde então ele tem sido alvo de pedidos de boicote. Manifestantes pró-Palestina se reuniram em frente a uma estação de metrô próxima ao Lincoln Financial Field, onde Sheeran tem um show previsto na noite deste sábado.

Eles exibiam bandeiras palestinas e entoavam a frase 'Palestina livre'. Policiais em uma dúzia de viaturas acompanharam à distância a manifestação pacífica. Alguns fãs que entravam no estádio disseram ter hesitado em ir ao show por causa da polêmica, mas finalmente decidiram aproveitar a música. Outros, como Brandon Ateke, mudaram de planos.

Este estudante de 18 anos da Universidade Brown acusou Sheeran de 'cumplicidade' com Kraft na tentativa de silenciar Macklemore. 'Decidi não ir ao show e no lugar, participar do protesto para visibilizar o genocídio que ocorre hoje em Gaza', disse à AFP.

Em um momento em que um número crescente de artistas se posiciona contra o conflito em Gaza e a violência de colonos na Cisjordânia, Sheeran tem mantido uma postura apolítica. 'Não sou cúmplice. Tenho opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. O fato de eu escolher não expressá-las publicamente não significa que elas não existam ou que eu não me importe', escreveu ele em uma postagem na terça-feira no Instagram. 'As pessoas que vêm aos meus shows não esperam um fórum político', acrescentou.

Show solo?

Não foram anunciados novos artistas de abertura, nem banda de apoio, e não se sabe como Sheeran pretende levar o espetáculo adiante. Outros artistas que participavam da turnê posteriormente abandonaram a série de shows do intérprete britânico de 'Shape of You'. Entre eles estavam a banda que acompanhava Sheeran e também Finneas, conhecido por seu trabalho ao lado da irmã, a estrelada cantora e compositora Billie Eilish.

Desde que Israel invadiu Gaza, em outubro de 2023, após o pior ataque da história do país, realizado pelo grupo islamista Hamas, o custo humano e a questão dos direitos palestinos se tornaram um grito de mobilização na indústria do entretenimento. Do Oscar ao Emmy, passando pelos principais prêmios da música e pelos festivais de cinema europeus, a guerra em Gaza tem sido frequentemente um tema dominante.

A ofensiva israelense em Gaza deixou a maior parte do território em ruínas e causou a morte de mais de 73.800 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob autoridade do Hamas. No mercado de revenda, os ingressos para o show mudavam de mãos em um ritmo sutilmente superior desde a segunda-feira, em comparação com outras datas da turnê de Sheeran, segundo o portal de monitoramento TicketData.

O preço dos ingressos mais baratos caiu de 123 dólares na segunda-feira (R$ 635,7, na cotação do dia) para 48 dólares na tarde de sábado (R$ 247,5).

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