Obras de recuperação na Casa dos Ministérios em Caçapava do Sul são entregues

Obras de recuperação na Casa dos Ministérios em Caçapava do Sul são entregues

Além da preservação emergencial, foi elaborado projeto de restauração do prédio, uma das sedes da República Rio-Grandense

Correio do Povo

As intervenções no local receberam investimento de R$ 601,14 mil em recursos do Pró-Cultura RS – LIC

As obras de salvamento emergencial da Casa de Ulhôa Cintra, também conhecida como Casa dos Ministérios, foram entregues oficialmente em Caçapava do Sul. O prédio histórico serviu, entre outras funções, como local de trabalho para os ministros da República Rio-Grandense, quando o município foi a segunda capital farroupilha.

As intervenções no local, que também incluíram ações de educação patrimonial e a elaboração de um projeto de restauração total da edificação, receberam investimento de R$ 601,14 mil em recursos do Pró-Cultura RS – Lei de Incentivo à Cultura (LIC), por meio de empresas patrocinadoras.

“A decisão de recuperar edificações históricas como a Casa dos Ministérios está inserida em um conjunto de diversas ações que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), desenvolve no sentido de valorizar o patrimônio cultural, elemento formador da identidade gaúcha e propulsor de desenvolvimento turístico, social e econômico para o Rio Grande do Sul” afirmou a secretária da Cultura, Beatriz Araujo representando o governador Eduardo Leite na solenidade.

Os trabalhos foram realizados com o objetivo de preservar os materiais remanescentes e impedir a degradação das alvenarias da edificação, devido ao desabamento completo do telhado, em 2023. Nessa primeira etapa de preservação da Casa, também foi desenvolvido um projeto de restauração total da edificação, o qual abrange, além do prédio principal, as demais construções existentes no terreno, propõe a adequação desse conjunto de estruturas, de uso residencial para cultural, e servirá de subsídio técnico para a definição das próximas etapas da obra.

Além disso, as ações foram complementadas com oficinas de capacitação de mão de obra para restauração de antigas técnicas construtivas e com atividades de educação patrimonial focadas na comunidade do entorno. Esse viés educativo considerou o contexto de preservação histórico-cultural-paisagístico do município, reconhecido oficialmente como Capital Gaúcha da Geodiversidade e com certificação de geoparque obtida junto à Unesco.

A solenidade de entrega das obras contou com a participação de expositores locais, apresentações musicais, pronunciamentos de autoridades, visitação na Casa com a arquiteta Simone Neutzling (da Perene Patrimônio Cultural, responsável pelos trabalhos) e visitas mediadas. Também estiveram presentes o prefeito de Caçapava do Sul, Marcelo Spode, a proprietária do imóvel, Renata Antunes, autoridades locais e representantes da comunidade. Da Casa dos Ministérios, a secretária Bia seguiu para a casa onde nasceu Antônio Augusto Borges de Medeiros, ex-presidente do Rio Grande do Sul (cargo que, à época, equivalia ao de governador do Estado) – o restauro da edificação, tombada pelo Iphae, também recebeu recursos da LIC.

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Casa de Ulhôa Cintra

Localizado na rua Sete de Setembro, 521 (esquina com rua Borges de Medeiros), o prédio foi construído entre 1800 e 1840. Quando Caçapava do Sul se tornou a segunda capital da República Rio-Grandense, no fim dos anos 1830, a edificação abrigou os ministérios farroupilhas, o que lhe rendeu o nome pelo qual é conhecida até hoje (além disso, à época, era chamada pelos revoltosos de “Casa de Reunião”). A tipografia do jornal oficial republicano, “O Povo”, também funcionou no local, onde foram impressos 116 das 160 edições da publicação.

Depois dos combates revolucionários, o imóvel pertenceu a José Pinheiro de Ulhôa Cintra, ex-ministro de diversas pastas da República Rio-Grandense que veio a residir no local com sua família. Mais tarde, a edificação foi utilizada para a exibição de filmes e teve uma sucessão de proprietários, entre eles Percival Antunes, que a restaurou sem alterar suas linhas arquitetônicas originais. Tombada em 1994 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) – instituição da Sedac –, a Casa foi locada pela administração municipal entre 2008 e 2012, quando a cobertura desabou, levando à interdição do prédio.

O prédio é térreo e construído sobre o alinhamento dos passeios públicos, com planta retangular. Possui cobertura em quatro águas, com telha capa e canal, telhado galbado com beiral e cimalha. As aberturas apresentam verga em arco abatido, com cercadura. É um exemplar da arquitetura colonial luso-brasileira, característica do período entre 1800 e 1850.


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DESDE 1º DE OUTUBRO 1895